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Oceano de som!!

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  Na natureza, a audição é questão de sobrevivência. Elefantes captam sons graves que percorrem o solo por quilômetros; morcegos se guiam na escuridão pela ecolocalização; corujas percebem os mínimos ruídos da presa na relva; golfinhos trocam informações por ondas sonoras que atravessam o oceano. Cada espécie evoluiu para escutar conforme suas necessidades: cooperar, caçar, fugir, anunciar perigo. Há uma lógica de economia: todo som revela posição, e excesso sonoro denuncia fragilidade. E, no entanto, os bem-te-vis seguem firmes — espalhafatosos, estridentes, anunciando sua presença sem pudor. Talvez seja justamente essa ousadia sonora o presente que nos oferecem como exceção à regra: um alarme alegre contra o cinza do mundo. Para o ser humano, ouvir é tão vital quanto para os demais, mas a escuta não se limita à sobrevivência. Ela aparece também nos gestos cotidianos: na polidez, na empatia, no afeto. Ouvir com atenção quase sempre traz informação nova — às vezes sobre o outro, às...

Canto para a nossa morte!

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                                                        Em Canto para minha morte , Raul Seixas enumera possíveis encontros com o fim, mas expressa o desejo de recebê-lo em sua melhor versão. Cada um idealiza a sua, mas creio que todos, no fundo, querem encontrar sentido, ou uma centelha de paz, antes desse momento derradeiro. “Um acidente de carro O coração que se recusa a bater no próximo minuto A anestesia mal aplicada A vida mal vivida A ferida mal curada A dor já envelhecida O câncer já espalhado e ainda escondido Ou até, quem sabe, um escorregão idiota Num dia de sol, a cabeça no meio-fio Oh morte, tu que és tão forte Que matas o gato, o rato e o homem Vista-te com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar”                Alguns vivem plenamente, constroem família,...

Sessão Pipoca (parte2)

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  O futuro já aterrissou: está apenas na sala de embarque, realizando o check-out, e temos pouquíssimo tempo para encontrá-lo em nossa melhor forma. O gráfico que ilustra o texto é um guia de como, a cada tempo, as ideias centrais de famosas histórias ficcionais, considerando os aspecto de avanços tecnológicos previsto foi, um dia, um sonho distante — em algum momento consideradas inclusive inviáveis — mas hoje estão prestes a acontecer. Não uma, mas todas concorrendo para um futuro que, ainda, cabe a nós, humanos, direcionar. (as porcentagens foram “calculadas - inventadas” por AI, considerando os eventos  que incidiram ao longo do tempo. Muitas dessas possibilidades tendem,  devido ao avanço tecnológico, otimizado por AI desde a estrutura do chips até os grandes modelos de linguagem, a  terem cada vez mais chances de acontecer.   Torna-se interessante, portanto, realizarmos uma viagem por filmes e livros que projetaram nosso presente como futuro. ...

Sessão pipoca (parte 1)

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Na década de noventa debatíamos cenários cinematográficos que pareciam vir de universos distantes. Algumas previsões soavam absurdas; outras rondavam nosso horizonte sem deixar pistas de quando, afinal, se tornariam realidade. Na virada para 2000, o susto não veio de alienígenas, mas de linhas de código: o bug do milênio prometia derrubar sistemas inteiros. A prudência dos programadores se transformou em paranoia global ― até que as precauções valeram e tudo seguiu como antes. Esse episódio pode ser pensado como o embrião do medo tecnológico que eclodiria décadas mais tarde. Kubrick idealizou uma missão tripulada a Júpiter em 2001 ; em 2025, ainda não voltamos à Lua, nem pisamos em Marte. Carros voadores? Naquele instante, eram pura ficção; hoje, protótipos cruzam nossos céus. Antes de 2010, a Inteligência Artificial parecia distante; mas, nas últimas décadas, ela se revelou surpreendente, instigando um debate urgente sobre como vamos gerenciar ferramentas tão poderosas. Computad...

Mask!

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                                                                                                     Espelho, espelho meu...  No conto, a pergunta era repetida com obsessão: existe alguém mais bela do que eu? A madrasta forçava a barra, mas no fundo sabia a resposta — e se irritava com a verdade.  A comparação a feria, a ambição a cegava, e a inveja transformava qualquer possível beleza em seu oposto. Hoje, desenhamos cuidadosamente o que o espelho deve refletir. Mas será que não estamos nos tornando bons demais em parecer bons? Não que seja condenável apresentar-se com alguma pompa e circunstância ou sinalização de força, dependendo da situação. Na natureza observamos exemplos de animais q...

Os benefícios da leitura!

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                                              Talvez o simples fato de ser extremamente divertido já justificasse o gosto pela leitura. No entanto, sabemos que nem sempre as pessoas são educadas adequadamente para adquirir esse hábito, e que existem outras formas atrativas de alcançar conhecimento  no mundo atual  competindo quase deslealmente com o prazer de saborear um livro. Quanto mais a tecnologia se desenvolve, mais curtos, diretos e personalizados se tornam os conteúdos. Isso talvez impeça ao homem sua única chance de, mesmo sem asas, voar. Se já falta paciência para assistir a um vídeo mais longo, imaginem o desafio que representa ler um livro. Como a imaginação pode ter tempo para despertar e desenvolver, se estamos sempre absorvendo? Sem tempo para digerir, mastigando bem antes. Ruminando. Apenas uma criatividade reativa aos estímulos...

Abundância!

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                                                   "Cornucópia, símbolo representativo de fertilidade, riqueza, e abundância."  É curioso pensar que, desde o primeiro instante em que o universo resolveu existir, tudo surgiu de um transbordamento absurdo, uma "explosão" magnífica de energia que depois se decantou em matéria. Ele não foi discreto ou econômico: nasceu da abundância, da sobra, do exagero cósmico, um processo inflacionário em escalas inimagináveis no qual o espaço tempo, palco de nossa existência, se desdobrou. Estrelas nasceram e morreram e ainda o fazem, agora na geração Z delas, em espetáculos pirotécnicos, desperdiçando luz, calor e espalhando elementos essenciais à vida por toda parte, sem a menor cerimônia. E nós, humanos, andamos por aí preocupados se há o suficiente para pagar as contas do mês que vem. Tudo bem que temos que...