Sonrisal Cósmico
Duas pastilhas efervescentes, quando colocadas juntas no centro de um copo d’água, começam a se dissolver quase ao mesmo tempo. À medida que borbulham, afastam-se lentamente uma da outra, empurradas pelas próprias reações químicas, até parar em lados opostos do copo, separadas pela água que aos poucos ganha cor. Cada uma passa a desenhar sua constelação de bolhas, seu domínio transitório. As frentes se expandem, encontram-se, interferem, até que o líquido inteiro se torne turvo e ativo — mas não instantaneamente. Cada ponto do copo recebe primeiro uma notícia, depois outra. Essa demora é tudo. O universo parece operar como uma sucessão de chegadas, encontros e desencontros. Cada coisa só passa a existir para as demais depois das interações que a fazem alcançar outros lugares. A realidade se escreve em ondas de atualização, avançando até o limite onde a informação ainda pode se propagar. A luz marca esse ritmo. Para qualquer corpo com massa, ela percorre a distância no menor intervalo c...