Rotatórias de Saigon
Cheirava a óleo queimado, fritura antiga e alguma flor invisível vendida duas ruas atrás. O capacete derretia os miolos. O suor não corria: estacionava. Poeira das obras em volta grudava na língua. Diesel nos pulmões. E, apesar disso, havia um perfume doce atravessando tudo — como se a cidade lembrasse, a cada esquina, que não era só coisa. Nada de perfeição, irmã de Bangkok e São Paulo, mais arborizada e com um charme sem necessidades de perfeitas traduções, mas recheada de elegâncias discretas. Não sei bem o dia em que me diverti mais aqui, ou se ainda está por vir. Mas, se foi, pode ter sido logo na chegada, quando, apressado para sair do hotel, fui convidado pelos vizinhos a sentar um pouco na roda deles. Aceitei, mais para não fazer desfeita, ainda mais que era logo no apito inicial. Estava inquieto para andar, conhecer. Eles, mais curiosos ainda, perguntavam tudo. Quando disse ser brasileiro, enumeraram nomes de jogadores de futebol. Zombaram o Neymar, mas elogiaram os Ronal...