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Mostrando postagens de dezembro, 2024

Parindo o homem

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            Na aparente tranquilidade do universo primordial, no infinito mar de potencialidades que antecedeu ao tempo, apenas as vontades existiam. Elas viviam por um doloroso e incompreensível instante e logo se dissolviam no nada. Jamais geravam acontecimentos. Eram como pensamentos soltos e desconexos, sem pertencer a tempo ou lugar.  O maior desejo de cada vontade, de cada embrião de pensamento, era descobrir e conhecer profundamente todas as outras. Os meios materiais, no entanto, ainda não existiam. O intercâmbio de sensações e informações era impossível. Todas as vontades buscavam uma orientação, mas não fluíam, nem convergiam com liberdade. Os infinitos arranjos tornavam complexa a realização do sonho secreto e comum. Na ausência de soluções, uma forte opressão era gerada. A imposição de quietude provocava uma grande instabilidade no nada. Potencialidades permaneciam eternamente sendo tudo o que poderiam ser, mas sem jamais se tornarem al...

Projeto educacional

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  Diante do cenário atual da educação em nosso país, gostaria de apresentar uma proposta que poderia contribuir significativamente para o desenvolvimento humano de nossos cidadãos, com um investimento reduzido e um grande impacto social. Vivemos numa era que pode ser considerada o pé da curva exponencial tecnológica. A educação sempre é essencial para um futuro digno para os brasileiros e a solução para a maioria de nossas dificuldades. Muitas transformações exigem do ser humano uma qualificação que a cada dia se torna mais exigente. Nossa realidade em contrapartida, apresenta muitos excluídos até da formação básica. Crianças fora da escola, adolescentes que tiveram que se dedicar ao trabalho e não puderam continuar os estudos. Moradores de rua, e outros grupos sem direcionamento adequado que não sabem nem por onde começar. Não basta cuidarmos da fome e dos aspectos básicos da sobrevivência, isso é importantíssimo para não nos tornamos desumanos, mas devemos dar ao brasileiro a c...

Undo

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              Se a vida tivesse um botão de "Desfazer" Outro dia me peguei olhando a tela do computador e pensei: como seria se a vida tivesse um botão Undo ? Sabe, aquele ícone salvador do Word que desfaz qualquer cagada – digo, deslize – com um simples clique? A ideia me transportou direto para as aulas de datilografia da adolescência. Era um terror: cada letra era uma decisão irrevogável. Tecla errada? Adeus, página perfeita. O papel parecia julgar meus erros com um rigor que nem minha mãe no boletim escolar. Rasurar, então, era pecado mortal. Mas na vida real, não há volta. Não há edições. Cada erro fica ali, como um rabisco imortalizado no papel que desempenhamos na vida. O universo, por algum motivo, acha justo que a gente sofra por distrações que duram um segundo – mas cujas consequências duram para sempre. Pior ainda, os erros cotidianos têm uma tendência irritante de acontecerem nos momentos mais inusitados e serem permanentes. Um Undo al...

Instabilidade Potencial

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                                                                                                     Imagine um céu totalmente branco. Nenhuma noite, nenhuma escuridão, apenas luz em todas as direções. E agora imagine o oposto absoluto: o nada. Nem escuridão, nem luz. Apenas vazio. O que faz com que algo, como o universo, exista em vez de um eterno nada? Uma das teorias mais aceitas na física, a do Big Bang, conduz à conclusão de que o nosso universo surgiu à medida que o espaço-tempo em que vivemos se desdobrou. Pode ser infinito, ou talvez o processo inflacionário calculado para suas primeiras eras seja o que conduza a isso. Ainda assim, há evidências indicando que o palco de nossa ex...

Vioallien

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  A vida inteligente fora da Terra, embora provável, dada a imensidão do Universo, possivelmente acontece muito distante de nós para o contato. A principal razão são as vastas distâncias envolvidas. Por exemplo, se o Sol deixasse de existir neste exato instante, só perceberíamos oito minutos depois, devido ao tempo da causalidade — a maior velocidade com a qual a informação pode trafegar. Esse último raio de luz levaria oito minutos para nos alcançar. No caso da estrela mais próxima, Alpha Centauri, o tempo seria de aproximadamente quatro anos. Ou seja, para chegarmos até essa estrela, demoraríamos quatro anos viajando à velocidade da luz, uma velocidade que, para nós, ainda é um limite teórico e (físico) inalcançável. Mesmo com avanços tecnológicos, estaríamos longe de superar esse limite físico, e, se conseguíssemos, enfrentaríamos outros desafios, como desviar de objetos no caminho a velocidades extraordinárias. Além da dificuldade de alcançar a estrela mais próxima, o contato...