Oceano de som!!
Na natureza, a audição é questão de sobrevivência. Elefantes captam sons graves que percorrem o solo por quilômetros; morcegos se guiam na escuridão pela ecolocalização; corujas percebem os mínimos ruídos da presa na relva; golfinhos trocam informações por ondas sonoras que atravessam o oceano. Cada espécie evoluiu para escutar conforme suas necessidades: cooperar, caçar, fugir, anunciar perigo. Há uma lógica de economia: todo som revela posição, e excesso sonoro denuncia fragilidade. E, no entanto, os bem-te-vis seguem firmes — espalhafatosos, estridentes, anunciando sua presença sem pudor. Talvez seja justamente essa ousadia sonora o presente que nos oferecem como exceção à regra: um alarme alegre contra o cinza do mundo. Para o ser humano, ouvir é tão vital quanto para os demais, mas a escuta não se limita à sobrevivência. Ela aparece também nos gestos cotidianos: na polidez, na empatia, no afeto. Ouvir com atenção quase sempre traz informação nova — às vezes sobre o outro, às...