O treinamento da sétima função
A premissa de Quem Matou Roland Barthes?, de Laurent Binet, é irresistível: e se o acidente fatal do semiólogo francês não fosse um mero infortúnio, mas um assassinato? O motivo? Um manuscrito contendo a lendária sétima função da linguagem, um poder tão absoluto que permitiria persuadir qualquer um a fazer qualquer coisa. Um thriller filosófico e uma sátira mordaz do meio acadêmico francês dos anos 1980, o livro desfila por uma Paris habitada por gigantes do pensamento — Foucault, Derrida, Eco, Kristeva —, mas os veste de caricaturas, o que desperta tanto encanto quanto críticas acaloradas. Foucault aparece como um excêntrico hedonista, Derrida é o mestre da verborragia indecifrável, assim como Lacan, Kristeva assume um tom conspiratório, e Eco, bom, Eco parece estar sempre dois passos à frente da trama. São figuras grandiosas equilibradas entre o tributo e a zombaria. A crítica ao exagero do meio acadêmico tem seu charme, mas alguns consideram ter ido longe demais. A...